(in)transparência






o frio na vidraça
e aqui dentro um suspiro
a paisagem embaça...


Parodiando Leminski














Tenho até medo do dia
quando tudo que eu diga
vire pó (e não poesia)


EfeiTo


Acostumou-se tanto a calar
que já começava a gostar 
de pensar silêncios.


Sol (a) posto


Um erro e tudo vai mal.
Entra areia na paisagem
que se acaba em por de SAL ...


Insônia


No escuro castigo
até o silêncio 
grita comigo.


Ltda.


A palavra limitada.
Como eu, sem você. 
Abreviada.


Depois da chuva


Poça na rua. 
Um passo descuida 
e pisa a lua.


A(normal)idade


É mesmo uma anomalia
correr-trabalhar-viver
e ainda pensar poesia!


Tela


Nas cores daqui
persiste a memória
dos sonhos Dali...


Retrato


Uma saudade
que a memória
(e)moldura...


Obviedades


O que vem 
depois do vinho, 
adivinho.


Quatro estações


Outonos invernos 
ainda me verão 
primavera...


Saudade


Olhos de mãe
soluçam ausências 
na Praça de Maio...


Melodia


Gotas de brilho e som.
A chuva lava, alegremente,
o silêncio do jardim...


Tic, tac!





E esse tempo safado
que quando eu mal viro as costas, 
faz tudo virar passado?


É gramático !


Acentos agudos
sobre ideias átonas, 
me deixam a paciência circunflexa.


Trens...





Trilhos do tempo.
Dormentes lembranças 
comboiam saudades...


Colheita


Palavras e atos
são sementes.
Não haverão flores, se_mentes...


Fatigado!


Era um verso pequeninho
que desistiu de ser grande 
porque cansou no caminho.


DiFuso


Entrelaçando sombras,
um fio cintilante de sol
tece um deslumbramento...


Alento (Deixa-me sonhar...)


...Nada em mim é tristonho. 
Se não posso, amor, te amar, 
posso levar-te em meu sonho... 

                                 (Com permisso, Pessoa.)


Contratempo


O tempo 
contempla. 
Há rugas no espelho.


Suavidade


Sobre a delicadeza das pétalas, 
asas diáfanas 
pousam levezas...


Cai o pano


Antecipado o fim do ato.
Poderia até ser trágico
não fosse tão cômico o fato.


Tinto



O gosto daquele vinho 
ruboriza 
um pensamento.


Aquarela


Ao largo, encantadas velas... 
Coloridas viagens que faço, 
a navegar numa tela...


Borboletas


Tarde mansa, 
matizes no jardim. 
Cores sobrevoam flores...


Antônimos



Eu trocaria...
A verdade salgada do “nunca mais”
pela doce mentira do “para sempre”.


À deriva...


E me afogam as saudades, 
impetuosas vagas nesse (a)mar demais, 
de onde retiraste barco, horizonte e cais...


À flor da tela


Um sopro de cores 
inspira a estação. 
E o jardim, aquarela...


Desejo poético


...a mão cálida dos teus versos 
roça a pele macia dos meus 
e nos põe in_versos...


Cumplicidade



Amor, carinho, inspiração.
Duas xícaras de café
e um poema no papel de pão...


Prenúncio


Um murmúrio de flores 
acariciando o vento, 
desperta setembros...


No colo de cada instante...


                 ...eu brinco 
                    de colar 
                    brilhantes...


Discurso



E lá vem o dito cujo
pregando palavras limpas
por sobre um passado sujo...